Eu era da banda, eu era o Diabo do Cartel!

Tô sentado aqui assistindo o DVD Cartélico Vol. 1 AO VIVO e pensando, no dia desse Show, lá na finaleira de 2017, eu estava na plateia, cantando e batendo cabeça, do mesmo jeito que eu fazia há mais de dez anos em todo show do Cartel da Cevada que tive chance de ir. Eis que, dali em diante, depois desse dia épico de gravação do DVD, em todos os shows que vieram depois eu também fui, eu também bati cabeça e cantei, só que agora eu estava em cima do palco com eles. Eu era da banda, eu era o Diabo do Cartel!! 

E isso ainda é muito louco pra mim!!! 

Ouço o Cartel desde meados dos 2000, mas conheço esses bagual quase a minha vida toda, tudo amigo, primo, irmão, família mesmo, e fui realmente em todo show que pude: na garagem do Igor, na Praça do Timbuka, nos bares, no meio da rua. Tinha orgulho de ser fã dos meus próprios amigos, as músicas do Cartel faziam parte da trilha sonora da minha vida. 

Pois então, como é que o fã virou Diabo¿ 

 

Foi tudo muito louco, mas também muito natural. O Diabo virou uma marca do Cartel, virou letra de música, ganhou clipe e eu acompanhei do início o surgimento dessa entidade de pilcha negra, cara vermelha e língua afiada, pois como se sabe desde sempre, “no Cartel o Santto é o Diabo”. O Santto, o cara que criou e viveu esse personagem tanto tempo, meu brother, um piá que foi tipo um irmão mais novo, meu cumpadre. Pois então, pouco depois desse show (que todo mundo pode conferir comprando o DVD aqui no site mesmo, te mexe vivente!), o Santto, que já tinha dito que estava deixando a banda por motivos pessoais assim que os compromissos daquele ano acabassem, se machucou feio na perna, ia ficar sem caminhar uns bons meses e o Cartel ainda tinha shows marcados, tinha que ir pra estrada tocar e fazer uns pilas pra concluir o DVD, e o Diabo tava manco! 

O que fazer¿ Viajar sem o Diabo¿ Quem é que pode assim, em cima do laço encarnar o encarnado, o sete pele, o mochila de criança¿ 

Bom, aí são eles que dizem, não eu. Mas foi o pensamento natural, quem é que já sabia as letras, o enredo, que tinha feito teatro lá nos primórdios com o próprio Santto, e mais importante - afinal este é o Cartel da Cevada - quem é feio e bêbado o suficiente pra entrar nessa cambada e se sentir e casa¿ E me chamaram! 

Sei que menos de um mês depois estávamos na estrada pra Santa Catarina, três dias de trago, churras, perrengue e risada! Minha estreia foi fora do nosso pago, no River Festival, dividindo palco com o Sepultura e mais um bando de banda foda! Que adrenalina, que tesão! E o resto é história pra contar na mesa do boteco, com um litrão gelado e um contrato da tua alma pronto pra ser assinado!

Salve o Diabo da Fronteira, o Diabo do Cartel da Cevada!!

 

Abraço do Lucas Rosa, o Capeta a seu dispor! 
👺

 

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