Uma banda de família 

Feliz pelo o que alcançamos, com saudades da família e inspirado pela bela história contada pelo Leo Bacchi, nosso baixista, também resolvi fazer um texto pra contar uma história. 

É sério. O Cartel sempre foi e sempre será uma banda de família. 

Talvez os palavrões e os temas recorrentes de putaria e humor, cerveja e churrasco presente nas letras te façam pensar ao contrário, mas não se deixe enganar. Somos uma banda família.  
 

Da esq. para dir. Andrei Veiga, Rodrigo Varela, Igor Assunção, Nando Rosa e Rafinha Pavinato

A começar pela a história de formação do Cartel que remonta a períodos jurássicos onde o meu irmão, Andrei Veiga - mais conhecido como Dedéquinha da Cuíca (piada interna) -, e eu tocávamos juntos com uma bateria emprestada da banda da Escola em que estudamos. A banda era marcial, ou seja, não tinha uma bateria, improvisamos alguns bumbos, surdos e caixetas, penduramos os pratos e conseguimos construir a primeira bateria dele.

 Andrei Veiga no primeiro clipe do Cartel da Cevada - Elas por Elas(demo) em 2005 

Desde então começamos a tocar com vários amigos, colegas de colégio e fomos evoluindo. O Nando, sempre presente nas funções desde o início, já era família também. Além de ser colega de aula do Andrei ele era um baita parceiro. Nessa época já arranhávamos nossas primeiras composições e já tínhamos montado ou participado de umas 3 ou 4 bandas. Foi neste período que tocamos muito com o Digo - Rodrigo Zeilman - que posteriormente veio a gravar o Cartélico com a gente.

Como sempre, fomos transitando sempre pelo rock e metal - passando pelo "pop rock de baile" pra pagar as cervejas e uns boletos durante a faculdade com o nosso irmão paraibano John - Jorge Henrique Gadelha - nos baixos. Nesta mesma época conhecemos o Richard Zimmer - bebedor nato, sorriso fácil, sempre feliz em poder desfrutar de trago, rock n' roll, as amizades e os churrascos - e logo depois o Cartel começaria a nascer. 

Com a formação que contava com Andrei na Bateria, Nando na Guita, Richard no baixo e Igor na guita e nos vocais gravamos nossa primeira demo, em 2005. 

Depois de um período conturbado onde todos dividiam o seu tempo entre faculdades, trabalhos e problemas pessoais, a primeira mudança na formação aconteceu. O Andrei saiu e fomos atrás de baterista. Fizemos um teste com o Tiago Cabeção Azevedo (amigo de infância e de colégio do Richard e parceiro de outras bandas -família-) que foi do caralho. Mas a vida era tão louca e tão "trash" que em dois ensaios depois ele já não estava mais nas baquetas. Foi daí então que, por indicação do Sergio, pai de uma baita amiga nossa, a Chris, marcamos um ensaio com o Samuel Sbaraini. Outro parceiraço que a vida me deu de presente e que assumiu a churrasqueira rítmica do Cartel da Cevada junto com o Richard para a gravação do primeiro disco e para as centenas ou milhares de shows e churrascos que vieram em seguida.

Da esq. para a direita Samuel Sbaraini, Richard Zimmer, Igor Assunção e Nando Rosa

Foto Por Bruno Narvaes

 Foto Gabriel Horn - Santto ao Centro como Diabo
Depois de um tempo, e com algum desgaste natural do processo de convivência, como em toda boa família, a formação da banda mudava novamente. Desta vez Richard, um dos fundadores do Cartel, e Samuel nosso batera, estavam deixando o grupo.  

Foi então que, Nando, Santto e eu, começávamos a pensar nas alternativas. Pensamos nas qualidades técnicas e musicais das pessoas mas claramente existia um padrão que precisava ser respeitado. Precisava existir parceria prévia, o cara deveria ser brother de todo mundo, gente boa ao extremo e curtir churrasco e cerveja. Procurávamos alguém que tivesse principalmente o potencial para se tornar um irmão do Cartel como todos somos, não buscávamos apenas músicos, procurávamos esse elo de amizade e irmandade. Ao natural as escolhas que foram feitas refletem exatamente isso. No lugar do Samuel entrou o Cabeção - que andava focado na batera e que sempre foi parceiro. E para o baixo escolhemos o Leo Bacchi - que é da mesma "matilha" que o Santto desde o colégio e que já conhecíamos e curtíamos festas, churrascadas, rpgs e tragoléus juntos.  

Da Esq. para a Dir. Leo Bacchi, Igor Assunção, Santto Nerva, Nando Rosa, Tiago

E assim, a família do Cartel continuou. Passando por alguns momentos fáceis de lidar e outros nem tanto. Gravamos um dos discos mais fodas e mais originais do Rock Nacional dos últimos tempos e único disco de Rock da história a ter sido indicado em todas as categorias do Prêmio Açorianos de Música. Este disco e nosso primeiro DVD ao vivo foram gravados com Cabeção na Bateria, Nando na Guita, Santto como Diabo, Digo no baixo gravado, Leo Bacchi no baixo ao vivo Galo Mystico na gaita e Igor nos vocais e na guita.


Neste ponto da nossa caminhada aprendemos que existia uma parte especial da nossa família que estava sempre presente, sempre nos apoiando e nos dando força, talvez sendo o elo mais importante da nossa corrente: Nossos fãs! É graças a eles, graças a vocês, que conseguimos conquistar cada vez mais coisas legais com a nossa música. 

Nossos fãs são formados por amigos, esposas, namoradas, pais e mães, parceiros de outras bandas e alguns admiradores que ficam um pouco a distância no começo mas que depois percebem que a gente tá sempre aberto para um abraço e uma cerveja, pronto para receber mais um irmão na grande família do Cartel da Cevada. 

E foi assim que aconteceu quando o Santto saiu e quem assumiu as guampas do diabo foi o Lucas Rosa (também parte da matilha antiga da gurizada do tragolé0 do rock n' roll, do metal, do rpg...)

 

e também quando o Cabeção saiu e quem veio assumir as baquetas foi o Alberto Andrade (Tino!). Monstro na bateria, professor do instrumento e um dos nossos irmãos mais próximos de cerveja, churrasco e de rotina musical -o Tino já tocava com o Nando, com o Richard, com o Léo Ponso e comigo na Volts (uma banda que presta homenagem ao AC/DC) . Família também.


Neste tempo em que o Tino está na banda fizemos shows épicos ao lado de bandas como Scorpions, Whitesnake, Helloween, Sepultura entre tantos outros monstros. Fizemos também muitos churrascos e aumentamos mais ainda a família. Nasceu o Darwin, filho do Santto, o Yuri, meu sobrinho, filho do Dedéca, nasceu também o Déco - primeiro filho do Tinão - e a flora, primeira filha do Léo Ponso. Agora está para nascer o primogênito do Nando Rosa também e a família segue crescendo. Além disso, temos a impressão que a cada show que fazemos e por onde passamos, a irmandade só cresce. Fazemos muitos amigos e estes amigos se tornam presentes e assim a gente vai conhecendo cada um deles que compra um disco, vai no show, divulga, torce, participa e aos pouquinhos vai virando irmão. Que apoia, empurra, defende... Família. 

Nesse clima de vai e vem das andanças da vida e numa vibe totalmente "amor cartélico familiar" aproveito pra contar que mais uma mudança de formação acontecerá. O nosso baterista, Alberto Andrade, fará sua última apresentação junto com a banda na primeira edição do "Cartel da Cevada Apresenta:" que rola em novembro de 2019 em Porto Alegre. O Tino é um monstro na batera e um grande parceiro que dividiu boas e não tão boas conosco e que agora busca seu crescimento profissional e pessoal para além do Cartel. Nós ficaremos sempre tristes quando alguém da família se afasta um pouco mas vamos sempre torcer para continuar vendo nossos irmãos crescendo e sendo felizes. 

 

Ainda não temos o nome do novo baterista para anunciar mas temos a certeza de que ele será gente boa, parceiro de todo mundo, vai tocar muita batera e obviamente vai fazer parte desta Família Rock Bagual que é o Cartel da Cevada.

E assim que a gente souber, viremos correndo contar pra vocês.

Um abraço do Igor e um canecaço do Cartel da Cevada

 

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