Música, independente do que aconteça! 

Um dia desses, nessa louca época da nossa vida em sociedade chamada pandemia, meu filho, Francisco, um ano e uns tantos meses, viu e ouviu pela primeira vez música ao vivo. Era um ensaio (ou uma aula) de uma galera da batucada de Porto Alegre - talvez o Turucutá Batucada Independente? confesso que não sei - ali no Parque Farroupilha. Ele ficou atento a um som alto que vinha de algum lugar, parou de brincar na pracinha, e começou a se movimentar. Pediu para ir até o lugar de onde vinha aquele som. Ficou paradinho, encantado com muitas pessoas tocando instrumentos ao mesmo tempo, soando alto, se olhando e se divertindo. Ele ficou dançando um tempão. Não quis mais voltar pra praça. Ele ainda não fala muita coisa, mas se pudesse, tenho certeza que diria: "como música é bom!". 

Claro que várias vezes ele me viu tocar guitarra ou violão em casa, praticando um pouco ou compondo alguma ideia pro Cartel. Mas uma banda, ou várias pessoas juntas tocando numa mesma intenção, foi a primeira vez na - ainda curta - vida dele. Foi muito louca essa epifania na hora, porque me dei conta que em épocas 'normais' ele teria ido a inúmeros eventos de música ao vivo. Shows do Cartel, com toda certeza, mas em tantos outros eventos que, em um universo paralelo, devem ter acontecido em 2020 e 2021. 

O que ficou de reflexão para mim se dividiu em dois momentos. O primeiro é que realmente é uma lástima isso tudo que nós vivemos, do ponto de vista cultural/musical. Para quem tem a arte e, especialmente, a música como algo importante na sua vida, parece que um pedaço da gente ficou meio em suspenso. Meio perdido, meio sem vontade. Ainda que a gente viu tanta banda e tanto músico se reinventando, lançando materiais, fazendo lives - ainda assim, parece que segue faltando algo.  

Mas o segunda pensamento que me veio é: que coisa importante é ainda ter energia acumulada para seguir em frente, para lembrar que tudo passa e que, um dia, muito em breve, a gente vai estar com um monte de amigos, com nossos filhos, dando risadas, tomando uma cerveja e esperando começar aquele estouro de pratos e bumbos e guitarra e baixo e gritos de alegria, do palco e da platéia. Por que quando isso acontecer (e a gente está vendo, de boca aberta, alguns lugares no mundo que isso já é realidade!) aquela sensação boa que parece que estava meio morta, na verdade, está ali meio adormecida, estática, por falta de música no ar. 

Entendo que meu papel como músico independente, de uma banda 100% independente, que sempre acreditou que dá pra fazer, é continuar acreditando - nada de largar o osso, olhar pra frente e se divertir e se empolgar no processo de compor e tocar e - parece mentira! - de pensar em tocar novamente ao vivo. Por que acima de tudo, a paixão pela música é mais forte. E isso tudo é pra dizer que, muito em breve, o Francisco e mais um tanto de gente boa por aí vai poder dizer, na frente de um palco, com um sorriso no rosto: como música é bom!


E por falar me música, tem EP ao vivo e novo em folha pra tu curtir aonde tu quiser!

 

 

 

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